Dólar opera em alta pela 9ª sessão seguida


Moeda norte-americana terminou a última semana cotada a R$ 4,4809. Em fevereiro, alta foi de 4,57%, maior alta para o mês desde 2015. No ano, o avanço é de 11,75%. Notas de dólar
Gary Cameron/Reuters
O dólar abriu em alta nesta segunda-feira (2), após renovar recorde de fechamento na sexta-feira e acumular uma sequência de 8 altas seguidas.
Às 9h13, a moeda norte-americana subia 0,24%, vendida a R$ 4,4918. Na máxima até o momento chegou a R$ 4,4983. Veja mais cotações.
Na sexta-feira, o dólar fechou em alta de 0,10%, R$ 4,4809, novo patamar recorde de fechamento nominal (sem considerar a inflação). Na máxima da sessão chegou a R$ 4,5141 – maior cotação nominal já registrada no país. Na semana, a moeda acumulou alta de 2,01%. No mês, subiu 4,57%. No ano, o avanço chegou a 11,75%.
Entenda os impactos do avanço do coronavírus na economia global e brasileira
Tensão global
O avanço da epidemia do novo coronavírus pelo mundo tem provocado abalos nos mercados globais e elevado as preocupações de investidores e governos sobre o impacto da propagação do vírus nas cadeias globais de suprimentos, nos lucros das empresas e na desaceleração do crescimento da economia global.
Nesta segunda-feira, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu a previsão de crescimento da economia mundial para 2020, passando a projetar um crescimento de 2,4%, menor expansão desde 2009 e ante expectativa anterior de 2,9%, citando o coronavírus e as contrações na produção chinesa.
Por conta de fluxos elevados de capitais para mercados de menor risco, o dólar segue se valorizando frente a outras moedas, em especial moedas de países emergentes como o real.
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Impactos no PIB do Brasil
Além das preocupações sobre o impacto do coronavírus, o dólar mais valorizado nas últimas semanas tem refletido os juros em mínimas históricas no Brasil e as projeções sobre o ritmo de crescimento da economia brasileira e andamento das reformas.
O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, afirmou nesta sexta-feira à GloboNews que o coronavírus deverá levar à revisão na estimativa de Produto Interno Brasileiro (PIB).
A secretaria comandada por Sachsida é responsável por fixar as projeções oficiais do governo para a economia e chegou a anunciar em janeiro deste ano um aumento na previsão de crescimento, alterando a expectativa de 2,32% para 2,40%. Segundo o secretário, a nova revisão do número deve ser anunciada até o fim desta semana.
O mercado brasileiro reduziu para 2,17% a previsão a alta do PIB em 2020, segundo pesquisa Focus do Banco Central, divulgada nesta segunda-feira, mas diversos bancos e consultorias já estimam um crescimento abaixo de 2%.
Já a projeção do mercado para a taxa de câmbio no fim de 2020 subiu de R$ 4,15 para R$ 4,20 por dólar. Para o fechamento de 2021, permaneceu em R$ 4,15 por dólar.
A redução sucessiva da Selic desde julho de 2019 também contribui para uma maior desvalorização do real ante o dólar. Isso porque diminuiu ainda mais o diferencial de juros entre Brasil e outros pares emergentes, o que pode tornar o investimento no país menos atrativo para estrangeiros e gerar um fluxo de saída de dólar. E cresce no mercado as apostas sobre a chance de um possível novo corte na Selic, atualmente em 4,25% ao ano.
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Arte/G1
Fonte: ECONOMIA

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