EUA e Afeganistão anunciam termos de acordo sobre retirada de tropas


Conflito entre os norte-americanos e o Talibã, que acontece no Afeganistão, já dura 18 anos; trégua parcial e o acordo podem ser um marco importante. O governo dos Estados Unidos e do Afeganistão apresentaram neste sábado (29), em Doha, no Catar, os termos de um acordo histórico que marca o início da retirada das tropas americanas do país.
As Forças Armadas norte-americanas ocupam o país asiático desde 7 de outubro de 2001, quando iniciaram uma ação de resposta aos ataques de 11 de setembro.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 100 mil civis foram mortos ou feridos apenas na última década. Desde o início dos conflitos, os EUA gastaram cerca de US$ 1 trilhão (R$ 4,5 trilhões) em despesas militares no Afeganistão.
Torres Gêmeas emitem grande nuvem de fumaça após serem atacadas em 11 de setembro de 2001
The New York Times
Em 2001, quando aconteceram os ataques de 11 de setembro nos EUA, o Talibã, grupo islâmico radical então liderado pelo Mohammed Omar controlava 90% do Afeganistão, embora nunca tenha sido reconhecido como governo pela ONU. Os únicos países que reconheciam a autoridade dos talibãs eram a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Paquistão.
Após os ataques nos Estados Unidos, o presidente americano à época, George W. Bush, revidou com uma invasão do Afeganistão por este dar abrigo à rede Al-Qaeda, responsável pelos atentados terroristas. Paquistão e Arábia Saudita se tornaram aliados na luta ao terror, e os talibãs passaram a fazer luta armada contra os americanos e o novo governo afegão constituído.
Desde então tropas americanas lutavam contra essa insurgência.
Redução da violência
Em 21 de fevereiro de 2020, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse em um comunicado que os negociadores em Doha chegaram a um acordo para a redução da violência no Afeganistão.
Em seu comunicado, Pompeo afirmou que as negociações entre os distintos grupos afegãos começarão após a assinatura do acordo deste sábado. As negociações desejam alcançar “um cessar-fogo completo e permanente e um roteiro político para o Afeganistão”.
Foto de junho de 2018 mostra combatentes talibãs comemorando com moradores uma trégua de 3 dias organizada por causa do feriado muçulmano do Eid al-Fitr, na província de Nangarhar
Rahmat Gul/AP
Segundo Pompeo, o progresso feito até agora mostra que existe “esperança” e representa “uma oportunidade real” para a paz. Para o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, o acordo abre caminho para uma “paz duradoura no Afeganistão”.
“[O acordo] Pode pavimentar o caminho para as negociações entre os afegãos, uma paz duradoura e garantir que o país não seja mais um refúgio seguro para terroristas”, declarou em comunicado.
Conheça a história do Talibã
Retirada de tropas
Segundo a agência France-Presse, uma primeira retirada de 8,6 mil soldados deve ocorrer em breve. A movimentação está condicionada ao progresso das negociações de paz entre o governo do presidente Ashraf Ghani e os talibãs.
Os insurgentes também devem garantir que o Afeganistão não seja mais usado por grupos jihadistas como a Al-Qaeda e o grupo Estado Islâmico (EI), para lançar ataques no exterior. Os EUA justificaram sua intervenção no país pela implementação da Al-Qaeda no território afegão com o apoio dos talibãs.
Suspeitos insurgentes do Talibã capturados e suas armas são apresentados para a imprensa em Ghazni, no Afeganistão, em 2016
Mustafa Andaleb/Reuters
Trégua parcial
A assinatura do acordo deste sábado ocorre após uma trégua parcial de uma semana no Afeganistão, com o objetivo de criar confiança e mostrar que o Talibã pode controlar suas forças.
Cerca de 30 países estão representados na assinatura do acordo em Doha, mas o governo afegão não enviará delegados. O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu várias vezes trazer as tropas de volta e acabar com as “guerras estúpidas”.
As negociações em Doha passaram por dias difíceis, principalmente quando, em setembro de 2019, Trump interrompeu a nona rodada de diálogo com vários tuítes.
A falta de confiança entre o governo afegão e o Talibã alimenta um clima de crise política. Além disso, Washington se recusa a reconhecer completamente a reeleição do presidente Ashraf Ghani, após eleições marcadas por denúncias de fraude.
Em 21 de fevereiro, os insurgentes e os Estados Unidos anunciaram uma semana de redução de suas operações militares e, no domingo, Trump disse que assinaria pessoalmente um acordo de paz com o Talibã.
Por sua vez, o vice-comandante talibã, Sirajuddin Haqqani, escreveu no “New York Times” na semana passada que “todo mundo está cansado da guerra”.
‘Progresso substancial’
Em comunicado divulgado na sexta-feira, Trump lembrou que trazer as tropas americanas que estão no Afeganistão de volta e acabar com a guerra estavam entre suas promessas de campanha. “Estamos fazendo progresso substancial em relação a essa promessa”, afirmou.
“Se o Talibã e o governo do Afeganistão cumprirem esses compromissos, teremos um caminho poderoso para terminar a guerra no Afeganistão e trazer nossas tropas para casa. Esses compromissos representam um passo importante para uma paz duradoura em um novo Afeganistão, livre da Al-Qaeda, do ISIS (Estado Islâmico) e de qualquer outro grupo terrorista que queira nos fazer mal. Por fim, caberá ao povo do Afeganistão construir seu futuro. Por isso, exortamos o povo afegão a aproveitar esta oportunidade de paz e um novo futuro para seu país”, disse ainda o presidente americano.
Fonte: MUNDO

Aqui você pode expressar sua opinião livremente.