'Ainda não consegui assentar as ideias', diz estudante após deixar quarentena em Goiás


Vitor Siqueira diz que espera concluir o mestrado em Wuhan e que o período de 14 dias na Base Aérea de Anápolis foi ‘extremamente significativo’. Estudante se diz confuso após quarentena, mas ressalta convívio e lembranças do isolamento
Passados os 14 dias de quarentena, o estudante Vitor Siqueira, de 28 anos, ainda não teve tempo para “assentar as ideias”. Se dizendo muito confuso com o período em que ficou isolado, ele ainda quer colocar tudo em ordem. Único do grupo de 58 que não embarcou ainda para sua cidade – Belo Horizonte – ele relembrou o tempo na Base Aérea de Anápolis, afirmou que lá dentro tudo foi muito intenso e que vai guardar boas lembranças do convívio que teve.
“Agora é total confusão. Foi uma coisa muito rápida, que ficamos sabendo há muito pouco tempo e eu não tive tempo ainda para processar tudo. Dentro da quarentena realmente foi um turbilhão de sentimentos, muita coisa veio e muita coisa ficou. Agora estou realmente meio assim, o que está acontecendo, onde que eu estou? E é mais ou menos esse sentimento de confusão porque eu ainda não consegui assentar as ideias”, afirma.
Assim que deixou a base, na manhã deste domingo (23), Vitor reencontrou o pai, José Neves Siqueira Júnior, que se hospedou em um hotel de Anápolis à espera do filho. No mesmo local, ele concedeu a entrevista. Eles seguiram depois para Goiânia de carro para encontrar amigos e posteriormente devem voltar para casa.
Estudante VItor Siqueira se diz confuso após quarentena, mas ressalta convívio e lembranças do isolamento: ‘Turbilhão de emoções’ Goiás
Vitor Santana/G1
Vitor considera o período que ficou em isolamento como um “retiro espiritual”. Cada minuto vivido ali ficará guardado em sua memória como algo marcante para sua vida.
“Acho que todo o processo, cada coisa. As pessoas, os lugares, as imagens, qualquer coisa acho que ficou gravada de uma maneira muito profunda, extremamente profunda. Imagino que não vai ser uma [lembrança]. Vai ser tudo que vou levar. Porque cada coisa foi extremamente significativa para mim”, destaca.
Vitor fazia mestrado em ensino de línguas em Wuhan – epicentro do coronavírus. Ele estava no último semestre e pretende defender sua dissertação tão logo seja possível. Ele afirma que deve voltar pra Wuhan, mas ainda não tem data definida.
“Os planos para o futuro, basicamente, é continuar com o que eu estava fazendo. A questão é: qualquer coisa que acontece na vida a gente não pode parar. Vamos seguir e pelo menos terminar o mestrado, seguir com um emprego”, estima.
Com o pai, Vitor seguirá para Goiânia e depois para Belo Horizonte
Vitor Santana/G1
‘Guerra psicológica’
Para ele, o maior desafio foi a “guerra psicológica”. Porém, conta que vai guardar boas lembranças desse momento, que ele considerou praticamente como um retiro espiritual.
“Foi uma guerra mais psicológica comigo mesmo, porque, quando você está isolado, não pode fugir de si mesmo, então tive emoções bem difíceis, mas que consegui trabalhar”, disse.
Durante o período de quarentena, disse que o convívio com todos foi fácil, pois muitos já se conheciam da universidade. “Mesmo entre os que não se conheciam, eram pessoas maravilhosas e são contatos que imagino que vou levar para o resto da vida. A gente sempre tinha um apoio e um suporte mútuo”, completou.
Antes de voltar ao Brasil, ele conta ficou com medo de não conseguir embarcar. “Tinha um senhor da Argélia que estava com muita roupa de frio e o termômetro marcou que ele estava com febre, mas não estava e todo mundo estava com roupa de inverno, então eu fiquei com medo de não embarcar. Mas, todo mundo embarcou e deu tudo certo no voo”, contou.
Grupo deixa a quarentena na Base Aérea de Anápolis após 14 dias
Vitor Santana/G1
Antes dessa viagem de volta ao Brasil, Vitor pretendia fazer um retiro na Índia e praticar yoga. Porém, com o surto do coronavírus, não conseguiu sair da China antes.
“Com tudo que aconteceu, acabei fazendo lá [na quarentena] esse retiro, conheci uma professora de yoga, então foi muito legal.
O pai do estudante conta que se apegou à fé para esperar a liberação do filho. Ao reencontrar Vitor. A emoção foi muito intensa.
“Eu estava quase saltando na frente [durante a cerimônia de encerramento na Base Aérea], quebrando todos os protocolos, mas estava morrendo de saudade dele. Mas agora é uma sensação de alívio e agradecimento à vida”, disse.
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Fonte: SAUDE

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