Pesquisa com bebês mostra que comportamento altruísta pode começar ainda na primeira infância


Em artigo publicado na revista cientifica ‘Scientific Reports’, pesquisadores da Universidade de Washington revelam que em alguns humanos o altruísmo é desenvolvido bem cedo. Um estudo publicado na revista científica “Scientific Reports” revelou que bebês podem ter comportamentos altruístas. A pesquisa foi feita pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e envolveu 96 crianças de 1 ano e 7 meses.
A pesquisa verificou se os bebês estavam predispostos a compartilhar suas frutas favoritas com estranhos. Os autores fizeram dois grupos de estudo com abordagens diferentes.
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Bananas, morangos, uvas e mirtilos foram colocados à disposição para verificar se as crianças dariam alguma dessas frutas aos cientistas, até então pessoas desconhecidas para os bebês. Foram feitos dois grupos: um em que um pesquisador se mostrava interessado na comida e outro em que ele se mostrava indiferente.
Cientistas da Universidade de Washington fizeram experimentos que mostram que bebês podem ser altruístas.
Dhanelle/ Pixabay
No grupo em que o cientista se mostrou indiferente à fruta, apenas 4% das crianças entregaram os alimentos. Já naquele em que o cientista demonstrou interesse, mais de 50% dos bebês deram um pedaço de fruta.
Bebês com fome são altruístas?
Em um segundo momento, os bebês chegaram ao local do teste antes de comer, o que incluiu o fator fome na pesquisa. Os pesquisadores queriam avaliar se o comportamento altruísta seria mantido até com uma sensação ruim.
A diferença observada neste teste, em relação ao primeiro, foi que enquanto nenhuma criança ofereceu o pedaço de fruta para o cientista indiferente, 37% dos bebês do segundo grupo ofereceram o pedaço de fruta mesmo sem comer aos pesquisadores que mostraram interesse.
A conclusão é que existem comportamentos altruístas ainda na primeira infância. Eles acreditam que certas práticas e valores de criação – como um ambiente familiar que enfatiza a conexão e o compromisso com outras pessoas – transmitem aos bebês a expectativa de que as pessoas tendem a ajudar as outras.
Os cientistas também acreditam que a criação pode gerar nas crianças um sentimento generalizado de obrigação interpessoal em relação a outros humanos que tenham alguma necessidade.
“Descobrimos que bebês mesmo quando estão com fome, em um ambiente estranho, são capazes de comportamentos espontâneos, robustos e repetidos de doação de alimento de forma altruísta. Dessa maneira, as primeiras experiências sociais em ambientes familiares podem ser entendidas como contribuição para um sistema psicológico que alimenta a expressão do potencial altruísta dos seres humanos”, diz o artigo da ‘Scientific Reports’.
O que é ‘altruísmo’?
Segundo o psiquiatra Daniel Barros, o altruísmo é o investimento de tempo, recursos, energia, dinheiro, em outras pessoas, ao invés de em nós mesmos.
“O impulso a agir de forma altruísta existe até mesmo em animais simples, provavelmente, por causa da reciprocidade. A seleção natural favoreceu o comportamento de ajuda mútua, pois ele aumenta as chances de sobrevivência. Nesse sentido, crianças pequenas já podem apresentar essa tendência”.
Segundo Barros, o altruísmo, assim como toda característica comportamental, pode ser ensinado e estimulado. O psiquiatra diz que uma pessoa pode desenvolver tal comportamento ao ser recompensado, como atenção, elogios e incentivos.
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Fonte: SAUDE

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