Brasileiro que trabalha em navio em quarentena por coronavírus no Japão descreve rotina: 'Clima tenso'


Thiago Campos, de Niterói (RJ), conta que precisa vigiar os corredores do Diamond Princess para evitar que passageiros deixem a quarentena. Brasileiro em navio usado para quarentena no Japão relata apreensão
Há uma semana atracado no porto de Yokohama, no Japão, o brasileiro Thiago Campos relatou ao G1 e ao Fantástico a atmosfera de preocupação no navio de cruzeiro Diamond Princess. “O clima aqui está bem tenso”, disse. Veja acima o VÍDEO com o relato.
Natural de Niterói (RJ), ele atuava nas lojas da embarcação durante os cruzeiros. Com a quarentena, porém, Thiago tem precisado vigiar os corredores para evitar que os passageiros deixem as cabines sem autorização, em um regime de rigidez para evitar a proliferação do novo coronavírus entre os ocupantes.
“Trabalho das 2 da manhã às 7 da noite para fazer vigilância dos corredores onde estão localizadas as cabines dos passageiros. A gente tem que detê-los para que não saiam das cabines”, conta.
De acordo com boletim divulgado nesta segunda-feira (10), o número de pessoas infectadas com o novo coronavírus no Diamond Princess chegou a 135. Os passageiros diagnosticados com o 2019-nCoV são retirados do navio para receberem cuidados médicos em terra.
Entre os novos casos estão 45 japoneses e 11 norte-americanos, informou a operadora do cruzeiro, Princess Cruises, em um comunicado. Entre eles, há 5 funcionários. Não há informações sobre os demais doentes.
Thiago Campos, de máscara, mostra corredores vazios de navio de cruzeiro em quarentena contra o novo coronavírus no Japão
Thiago Campos/Arquivo pessoal
Thiago relata que as autoridades de saúde tenta evitar que a tripulação que ainda trabalha no navio tenha contato com os doentes.
“A gente só vê mesmo os agentes, entrando e saindo. Eles fecham as portas para não deixar a gente ver”, diz.
A longa quarentena e os anúncios dos novos casos, comenta Thiago, tem gerado apreensão tanto da equipe do navio quanto dos passageiros. “Todo mundo está querendo que a gente saia dessa logo”, afirma ele, que ainda não sabe quando voltará para casa.
“Só espero que isso passe logo. Desejo voltar para casa e ver minha família”, acrescenta.
Quarentena
Passageiro do cruzeiro japonês Diamond Princess, que passa por quarentena por causa do coronavírus
Kim Kyung-Hoon/Reuters
O Diamond Princess foi posto em quarentena por duas semanas desde sua chegada a Yokohama, sul de Tóquio, em 3 de fevereiro, após um homem que havia desembarcado em Hong Kong ser diagnosticado com o vírus.
Entre os 3,7 mil a bordo do navio, estima-se que 1,1 mil sejam tripulação e 2,6 mil, passageiros.
Os passageiros passam a maior parte do tempo trancados nos quartos, e durante uma hora por dia são autorizados a saírem para caminhar e ver a luz do Sol.
Navio Diamond Princess está atracado em Yokohama, no Japão, com infectados pelo novo coronavírus em quarentena
Kim Kyung-Hoon/Reuters
A situação está levando alguns a relatarem sinais de depressão.
“Muitos passageiros agora estão um pouco indiferentes”, disse o passageiro britânico David Able em um vídeo publicado no Facebook. “A depressão está começando a se instalar”.
Outro passageiro disse que espera que as garantias sobre a eficácia da quarentena e ventilação a bordo sejam verdadeiras.
“Ficarei nervoso se ultrapassarmos os 200”, disse um morador de Hong Kong de 43 anos em quarentena no barco com sua esposa, seu filho e vários membros de sua família, segundo a Reuters.
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Fonte: SAUDE

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