Chega à Espanha ultradireitista extraditado pelo Brasil por atentado de 1977


Carlos García Juliá matou cinco pessoas em 1977 na Espanha; ganhou liberdade condicional e veio para a América Latina; ele ficou 20 anos desaparecido até ser preso em São Paulo, em 2018, onde vivia como motorista de aplicativo. Carlos García Juliá, espanhol que vivia no Brasil e foi extraditado, em 6 de fevereiro de 2020
Nelson Almeida / AFP
O espanhol de extrema direita Carlos García Juliá, um dos autores do massacre de Atocha, um atentado cometido em Madri em 1977, chegou nesta sexta-feira (7) à Espanha, após ser extraditado pelo Brasil.
García Juliá passou 25 anos como foragido da Justiça.
“Na manhã de hoje, o voo que transportava o foragido e os agentes encarregados de sua custódia aterrissou no aeroporto Madri-Barajas Adolfo Suárez”, afirmou em um comunicado a Polícia Nacional espanhola.
Na sequência, García Juliá deu entrada no presídio Soto del Real da capital espanhola.
Carlos García Juliá é escoltado pela polícia em Madri, em 7 de fevereiro de 2020
Divulgação Polícia de Madri/Via AFP
“Chegou no início da manhã a Soto del Real, o centro penitenciário Madrid 5, na província de Madri”, disse à AFP uma porta-voz das Instituições Penitenciárias.
Em 1980, o extremista de direita foi condenado a 193 anos de prisão por matar a tiros três advogados, um estudante de direito e um funcionário em um escritório da rua Atocha, de Madri. O atentado aconteceu em plena transição espanhola, após a morte do ditador Francisco Franco, e abalou o país.
“Há 43 anos, matou cinco pessoas no atentado de Atocha. Uma massacre que não pôde conter o desejo de liberdade de toda uma sociedade. Hoje, a Democracia e a Justiça voltam a triunfar. Hoje, chega a Madri um de seus assassinos, Carlos García Juliá, após ser extraditado pelo Brasil”, comemorou o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez.
Governo brasileiro extradita espanhol Carlos Garcia Juliá
García Juliá decolou na quinta-feira (6) à noite do aeroporto de Guarulhos de São Paulo, onde foi entregue aos agentes da Polícia Nacional espanhola.
As imagens captadas no aeroporto mostram García Juliá sorridente, cercado de agentes, à espera do furgão que o levaria para o avião.
Em 1991, García Juliá recebeu liberdade condicional e permissão para aceitar um trabalho no Paraguai, mas não cumpriu a obrigação de se apresentar todo o mês na embaixada da Espanha no país sul-americano e fugiu.
Depois, em 1996, foi detido na Bolívia, julgado por tráfico de drogas e condenado a seis anos de prisão. Fugiu, aproveitando-se de uma permissão penitenciária e ficou 20 anos desaparecido até sua detenção em dezembro de 2018, em São Paulo. García Juliá ganhava a vida como motorista de Uber e usava uma identidade venezuelana falsa, chamando-se Genaro Antonio Materán Flores.
Segundo um comunicado da Polícia Nacional espanhola, “o procedimento (de extradição) foi estendido por 13 meses pelos sucessivos recursos e apelações que a defensa foi exercendo diante das autoridades judiciais brasileiras, alegando a prescrição do delito, erros na dupla incriminação e o tempo de cumprimento de prisão na Bolívia”.
Em agosto passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro autorizou a extradição e, no início de janeiro, o Brasil notificou a Espanha. Lá, García Juliá deve cumprir os dez anos de prisão que faltam.
“Não há lugar, ou abrigo, para terroristas no Brasil”, escreveu o ministro da Justiça, Sergio Moro, em uma rede social.
Fonte: MUNDO

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