Brasileira que vive em Shenzhen mostra como coronavírus altera rotina na cidade chinesa

Paulistana Cymye Yamauchi trabalha de casa e faz questão de esclarecer que não há clima de pânico. “As pessoas podem sair, mas a maioria prefere não fazer isso”, diz; em vídeo, ela mostra ruas e ônibus quase vazios. Brasileira em Shenzhen mostra como coronavírus altera rotina na cidade chinesa
A paulistana Cymye Yamauchi, 34, vive em Shenzhen, uma cidade da China que faz limite com Hong Kong, desde 2010.
Ela está a mais de mil quilômetros de Wuhan, o epicentro da epidemia do coronavírus, mas, ainda que a distância seja grande, a cidade mudou depois que a crise começou.
Yamauchi é funcionária de uma empresa de comércio on-line e, desde o Ano Novo chinês, trabalha de casa. Eventualmente, precisa sair e, quando volta para seu edifício, tem sua temperatura checada e os seus números de identificação, como o do passaporte, são anotados.
A ideia é poder identificar quem estaria em risco caso uma pessoa do prédio seja infectada.
Shenzhen segue regras para conter o vírus. “Os locais com grandes concentração de pessoas, como parques, quadras, estádios, cinemas, teatros, aquários, parques de diversão estão todos fechados e sem previsão de abrir; acho que é algo correto a se fazer até que descubram um tratamento”, afirma, em entrevista ao G1.
A brasileira relata que em toda a China há obrigatoriedade de usar máscaras para entrar em locais fechados ou transporte público. Ela comprou a sua logo no início da epidemia. Agora, faltam máscaras no mercado – o estoque tem sido levado para locais onde a emergência é maior.
Já não falta comida nos supermercados, segundo ela. Durante o feriado do Ano Novo Chinês, é comum que não haja reposição de produtos porque muitos trabalhadores ganham folga, mas ela estava acostumada com isso.
Grupos de voluntários
Os chineses costumam viajar no seu feriado de Ano Novo, mas, geralmente, voltam logo. Uma parte deles deixa seus animais de estimação com um estoque de água e comida em casa.
Mas, neste ano, um contingente daqueles que foram viajar não pode voltar porque uma parte do país foi isolada, diz Yamauchi.
“Surgiu um grupo de voluntários para ajudar os donos de ‘pets’ – eles vão até a casa, arrombam a porta para dar água e comida”, afirma a brasileira. Eles procuram se certificar, antes, que não serão responsabilizados pelos danos ao imóvel.
Outros voluntários fazem compras de remédios para as pessoas.
Trabalho segue normal
Apesar de ter passado a trabalhar em casa, o ritmo segue o mesmo, ela diz. Mas, talvez, a empresa dela enfrente problemas.
Os depósitos de sua companhia ficam em outros países e, por enquanto, ainda há estoque. Mas, em algum momento, eles vão acabar, e provavelmente não serão repostos imediatamente.
“Pequenos pacotes ainda estão sendo enviados, mas grandes remessas, em contêineres, não”, diz ela.
Ódio contra a China
A brasileira, que tem ascendência japonesa, elogia as ações do governo para conter a epidemia.
“O governo tem tomado precauções para identificar o vírus, mapear as pessoas infectadas e verificar quem está doente”.
Por aplicativos de comunicação e SMS, ela recebe mensagens sobre a situação da epidemia e o que é preciso fazer.
“Muita gente critica a China, mas fazem isso baseados em uma China antiga, e muita coisa mudou.”
Cymye participou nesta sexta-feira (7) do programa Mais Você, para onde gravou um vídeo. Veja trechos acima.
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Fonte: MUNDO

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