Emprego: professor José Pastore aponta sinais 'preocupantes' e 'animadores' da pesquisa do IBGE

A pedido do blog, o economista e professor José Pastore, da Universidade de São Paulo (USP), um dos mais reconhecidos especialistas em mercado de trabalho do Brasil, fez uma análise sobre o resultado da pesquisa Pnad, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta sexta-feira (31).
A pesquisa indica que a taxa de desemprego no Brasil ficou em 11% no trimestre encerrado em dezembro, atingindo 11,6 milhões de pessoas.
Pastore avalia que, mesmo que a economia brasileira cresça 2,5% ao ano, ainda pode demorar de dois a três anos para a taxa de desemprego ficar abaixo de dois dígitos.
Desemprego cai para 11% em dezembro, mas ainda atinge 11,6 milhões
O último trimestre do ano passado encerrou com uma taxa de desemprego de 11%. Mas na média de 2019 ficou em 11,9%.
O elevado número de desempregados e o contingente de jovens que entrarão no mercado de trabalho são fatores que farão com que, mesmo com a geração de novas vagas, a taxa de desemprego cairá muito lentamente.
Superada essa fase de desemprego elevado, segundo Pastore, o Brasil enfrentará outro tipo de problema: a falta de mão-de-obra qualificada. Isso acontece, segundo ele, toda vez que o Brasil cresce mais de 3% ou 3,5%.
E completa: “Para dominar e acompanhar o processo tecnológico, é indispensável saber pensar e estudar a vida toda. É o que estão fazendo os países avançados”.
Entre os sinais “animadores” do mercado de trabalho em 2019, o economista aponta:
A taxa média de desemprego caiu de 12,3% para 11,9%, o que significa 215 mil pessoas a menos;
A população ocupada, ou seja, o número de pessoas empregadas, aumentou 2%;
O emprego com carteira assinada aumentou 1,1% ou 356 mil pessoas a mais;
A massa salarial, ou seja, a soma dos salários pagos, subiu 2,5%.
Entre os sinais “preocupantes”, Pastore enumera:
Ainda temos 12,6 milhões de desempregados. Eram 6,8 milhões em 2014;
A informalidade atingiu 41% do total ou 38,4 milhões de pessoas;
O número de trabalhadores por conta própria bateu recorde e chegou a 24,3 milhões;
Do total de 1,8 milhão de empregos criados no ano passado, 57% foram sem carteira assinada ou por conta própria.
Fonte: ECONOMIA

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